Distribuição do conhecimento ecológico tradicional sobre plantas medicinais em uma comunidade amazônica
Palavras-chave:
Amazônia brasileira, etnobiologia, etnobotânica, transmissão cultural, transmissão intergeracionalResumo
O Conhecimento Ecológico Tradicional (CET) sobre recursos vegetais, especialmente medicamentos, é altamente dinâmico e sujeito a influências ambientais, socioeconômicas e culturais. Também varia de acordo com gênero, idade, tempo de residência, renda, nível de educação e papéis familiares desempenhados pelos indivíduos. Este artigo estuda diferentes determinantes da distribuição do CET e suas possíveis influências sobre o processo de transmissão cultural em uma comunidade tradicional localizada em uma área protegida da bacia amazônica brasileira. Entrevistas socioeconômicas estruturadas e coleta de dados etnobotânicos por lista livre foram realizadas com 43 moradores, utilizando a técnica Bola de Neve, em uma comunidade localizada na Reserva Extrativista Tapajós–Arapiuns, no estado do Pará, Brasil. Seis fatores socioeconômicos foram avaliados em relação ao CET sobre plantas medicinais: idade, gênero, ocupação profissional, educação, renda familiar mensal e tempo de residência na comunidade. O estudo mostrouque quanto maior a idade e o tempo de permanência na comunidade, maior o conhecimento sobre plantas medicinais. Homens e mulheres tendem a ter CET semelhante e aqueles que são agricultores têm CET mais alto do que os locais que desempenham outras atividades. Nós também observamos que quanto maior o nível de escolaridade, menor o CET. A renda familiar mensal tende a ser inversamente proporcional ao CET. Concluímos que o conhecimento de plantas medicinais pode ser influenciado por fatores socioeconômicos, contribuindo para formar diferentes padrões de conhecimento que afetam a transmissão cultural da CET.